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 ARIANO
SUASSUNA
Nasceu em João
Pessoa, quando o pai, João Suassuna, governava a Paraíba. Ainda
na primeira infância mudou-se para Taperoá, no sertão, onde
permaneceu até os quinze anos. Nessa época, temperou a sua índole
de sertanejo, continuando assim uma tradição familiar que vinha
dos quatro avós. O pai é originário do Catolé do Rocha. A mãe,
nascida Rita de Cássia Dantas Vilar, tem raízes em Desterro,
Teixeira e na própria Taperoá.
Em
1942, com 15 anos, foi para o Recife. Matriculou-se no colégio
Americano Batista e aí começou a escrever para o recém-inaugurado
Teatro dos Estudantes de Pernambuco, sob a liderança de Hermilo
Borba Filho, "grande figura do Estado", como ele
qualifica. Em 1947 concluiu sua primeira peça, Uma
Mulher Vestida de Sol, reescrita dez anos mais tarde e adaptada
para a televisão.
Em
1950 formou-se pela Faculdade de Direito da capital pernambucana.
Convidado, foi lecionar Estética na Faculdade de Filosofia da
Universidade do Recife. Mas como sua vocação era o teatro, não
teve dúvidas em assumir o cargo de diretor do Teatro Amador
Sesiano do Recife e passou e escrever a coluna de crônica teatral
do Diário de Pernambuco.
Escreveu
depois outras peças e, em 1956, publicou o Auto da Compadecida,
que se tornou um marco na história do teatro brasileiro. Quatro
anos depois, estreava, também no Recife, A Pena e a Lei.
Alto,
magro, desempenado, Ariano poderia ser personagem heróico de uma
xilogravura dos cordelistas que tanto admira. Pai e avô, autor de
romances, peças de teatro, poemas , balés e músicas é uma
presença polêmica que ilumina o Brasil a partir do Nordeste. Que
mais um artista poderia almejar ?
Á R E A C U L T U R A L
O
escritor está convencido de que hoje, mais do que nunca, o
alicerce cultural constitui o mais importante e a mais ameaçada
estaca popular e quer ajudar a fixa-la com maior firmeza.
Personagem heróico da própria obra, ele talvez seja o último
grande artistas brasileiro obstinado em colar sua arte no país e
não na indústria cultural. O casamento do mundo clássico com o
universo sertanejo é seu Santo Graal um épico que pedia uma
trilha sonora. Pois ele a criou nos anos 70, com a fundação do
Quinteto Armorial que relê a trajetória ibérica da música
nordestina e do qual saíram nomes como Antonio Nóbrega e do
violinista Antonio José Madureira. Ele resgatou, divulgou e
protegeu gravuristas e poetas fantásticos como Chico Sales Areda,
J. Borges, Dila e Olegário.
Em
conversas, Suassuna deixa transparecer suas marcantes características
nordestinas, materializadas nos gestos abertos, na constante
repetição do "não" e nos erres acentuadamente
guturais. É considerado o principal defensor da cultura regional,
dos produtos nacionais e das manifestações populares, como a
literatura de cordel, o maracatu rural, o bumba-meu-boi.
Não
vê risco de desaparecimento da cultura nordestina. "Essa
questão depende da arte da qual se está falando. A literatura,
ninguém ameaça. O que você pode fazer contra um escritor é
matá-lo, como fizeram com Antônio José da Silva, dramaturgo
do Brasil do século 18, que foi queimado vivo pela Inquisição.
Aí está certo, ameaça, prejudica. Mas se deixar o escritor
vivo, ninguém pode com ele, não."
Suassuna
vê na chamada globalização uma ameaça à essência da
cultura de cada país. "Veja bem, quando falo nisso,
pensam que eu sou contra a globalização, porque sou contra
a cultura universal; isso não existe, não. Eu sou contra a
globalização porque é uma classificação pela média,
pelo gosto médio, e isso é que eu sou contra."
B R A S I L
O
Brasil – apesar de centenas de convites – nunca deixou. “Um dia,
eu, como quase todo filho de família tradicional sertaneja, estava
pronto para viajar ao exterior quando uns amigos disseram que era
assim mesmo, para entender o Brasil, tinha que deixar o país e beber
cultura lá fora. Me doeu aquilo, eu disse ‘Pois então não vou. E
quem quiser falar comigo tem que vir aqui ao Nordeste”.
S U A O B R A
Em
1947 concluiu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de
Sol, baseada na lenda de Mariquinha, personagem clássico do cordel,
reescrita dez anos mais tarde e adaptada para a televisão. Além
desta, é autor de mais dez peças, entre elas Os Homens de Barro, O Auto
de João da Cruz, O Auto da Compadecida, Ato Isolado, O Santo e a Porca,
A Farsa da Boa Preguiça, A Pena e a Lei. Fora as peças, publicou o
romance Pedra do Reino, o ensaio Iniciação à Estética e Fernando e
Isaura.
Tem
preferência por Pedra do Reino, no qual pôde contar o que não cabia
nas peças. "Teatro é uma coisa limitada. Você tem que ficar no
limite de uma hora e meia a duas horas, e eu precisava de mais espaço."
O
auto da Compadecida, com os saltimbancos João Grilo e Chicó
é o mais popular de todos os seus títulos, principalmente após o
sucesso estrondoso da adaptação feita pelo diretor Guel Arraes para
a TV Globo em 1999 e em seguida para o cinema no ano seguinte. A
consagração veio confirmar a empatia que o homem, suas idéias e sua
arte provocam onde quer que cheguem
Ariano
percorreu mais de 200 cidades para apresentar as famosas aulas-espetáculo,
verdadeiros shows de cultura popular que sacode as platéias
inclusive de jovens, por onde passa. Ao encerrar as palestra
deixa uma sensação quase eufórica de que vale a pena apostar num
Brasil que ainda não existe.
G A L E R I A D E F
O T O S
Ariano em sua casa, recebendo amigos
Ariano trabalhando
Ariano e seus netos
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