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 MANUEL
BANDEIRA - (1886-1968)
Manuel
Carneiro de Souza Bandeira Filho ,
pernambucano de Recife, nasceu no
no dia 19 de abril de 1886,em um sobrado recifense da então
Rua da Ventura, nº738 - atual Rua Joaquim Nabuco, onde hoje
é instalado o restaurante Mafuá do Malungo que cultua sua
memória.Filho de Manuel Carneiro de Souza Bandeira e
Francelina Ribeiro de Souza Bandeira.
É
uma das figuras mais importantes da poesia brasileira e um
dos iniciadores do Modernismo. Apesar de ser um poeta
fabuloso, também foi ensaísta, cronista e tradutor. O próprio
autor define sua poesia como a do "gosto humilde da
tristeza". Grandes músicos de seu tempo como
Heitor Villa-Lobos musicaram poemas seus. No final da história,
Bandeira transcendeu o Modernismo. Já novo gostava da
leitura, mas teve que abandonar a faculdade por ter contraído
tuberculose. Passou doente toda vida, apesar das várias
estadas em clínicas brasileiras e até na Suíça.
Sob a influência de Apollinaire,
Charles Cros e Mac-Fionna Leod, escreve seus primeiros
versos livres, em 1912.
Em 1917 publica seu primeiro livro: A
cinza das horas, numa edição de 200 exemplares
custeada pelo autor. João Ribeiro escreve um artigo
elogioso sobre o livro. Publica seu segundo livro, Carnaval,
em edição custeada pelo autor e desperta entusiasmo entre
os paulistas iniciadores do modernismo.
Bandeira não participa da Semana
de Arte Moderna, realizada em fevereiro em São Paulo, no
Teatro Municipal. Na ocasião, porém, Ronald de
Carvalho lê o poema "Os Sapos", de Carnaval.
A serviço de uma empresa jornalística,
em 1926 viaja para Pouso Alto, Minas Gerais, onde na casa de
Ribeiro Couto conhece Carlos Drummond de Andrade.
Recebe o prêmio da Sociedade Filipe de
Oliveira por conjunto de obra, em 1937, e publica Poesias
Escolhidas e Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase
Romântica.
Em 1940 é eleito para a Academia
Brasileira de Letras, na vaga de Luís Guimarães Filho.
Publica Poesias Completas e ainda Noções de História
das Literaturas . Começa a fazer crítica de artes plásticas
em A Manhã, em 1941, no Rio de Janeiro. Recebe o prêmio
de poesia do IBEC por conjunto de obra, em 1946.
Em 1948 são reeditados três de seus
livros: Poesias Completas, ; Poesias
Escolhidas e Poemas Traduzidos. Publica Mafuá
do Malungo (impresso em Barcelona por João Cabral de
Melo Neto),que os imprimiu em sua gráfica artesanal, quando
cônsul do Brasil em Barcelona. Mafuá - ensina Aurélio Buarque
de Holanda Ferreira - é "feira ou parque de diversões com
barracas, jogos, carrosséis etc" ; Malungo é camarada,
companheiro.
Traduz diversas obras, entre elas Macbeth,
de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean
Cocteau, as peças June and the Paycock, de Sean O'Casey, e The Rainmaker, de N. Richard
Nash, The
Matchmaker (A Casamenteira), etc.
Comemora 80 anos, em 1966, recebendo
muitas homenagens. A Editora José Olympio realiza em
sua sede uma festa de que participam mais de mil pessoas e
lança os volumes Estrela da Vida Inteira (poesias
completas e traduções de poesia) e Andorinha Andorinha
(seleção de textos em prosa, organizada por Carlos
Drummond de Andrade). Compra uma casa em Teresópolis,
a única de sua propriedade ao longo de toda sua vida.
Tratou
de temas como o amor, a morte, o cotidiano, aliando freqüentemente,
o humor e a ironia amarga e uma fina sensibilidade.
Manuel Bandeira destacou-se também como prosador e
como cronista .Sua poesia mais famosa é, sem dúvida
alguma, Vou-me embora pra Pasárgada.
No dia 13 de outubro de 1968, às 12
horas e 50 minutos, morre o poeta Manuel Bandeira, no
Hospital Samaritano, em Botafogo, sendo sepultado no Mausoléu
da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João
Batista.
Trechos de Poesias
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no
dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas ...
...Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é
libertação.
Evocação
do Recife
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritssatd dos amadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
Recife
das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura ...
...E
quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-- Lá sou amigo do rei --
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Algumas Obras
(
Poesia )
-
A Cinza das Horas - Jornal do Comércio - Rio de Janeiro, 1917
- Carnaval - Rio de janeiro,1919
- Estrela da Manhã - Rio de Janeiro, 1936
- Poesias Escolhidas - Rio de Janeiro, 1937
- Poesias Completas - Rio de Janeiro, 1940
- Poemas Traduzidos - Rio de Janeiro, 1945
- Mafuá do Malungo - Rio de Janeiro, 1948
- Poesias Completas (com Belo Belo) - Rio de Janeiro, 1948
- 50 Poemas Escolhidos pelo Autor - Rio de Janeiro, 1955
- Obras Poéticas - Rio de Janeiro, 1956
- Estrela da Tarde - Rio de Janeiro, 1960
(
Prosa )
-
Crônicas da Província do Brasil - Rio de Janeiro, 1936
- Autoria das Cartas Chilenas - Rio de Janeiro, 1940
- Apresentação da Poesia Brasileira - Rio de Janeiro, 1946
- Gonçalves Dias, Biografia - Rio de Janeiro, 1952
- Itinerário de Pasárgada - Jornal de Letras, Rio de Janeiro,
1954
- De Poetas e de Poesia - Rio de Janeiro, 1954
- Prosa - Rio de Janeiro, 1958
- Andorinha, Andorinha - José Olympio - Rio de Janeiro, 1966
- Seleta de Prosa - Nova Fronteira - Rio de Janeiro.
- Berimbau e Outros Poemas - Nova Fronteira - Rio de Janeiro
(
Antologias )
-
Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica - Nova
Fronteira
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Volume 1 -
Nova Fronteira
- Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia Simbolista - Nova
Fronteira
- Antologia Poética - Editora do Autor, 1961
- Poesia do Brasil - Editora do Autor, 1963
- Manuel Bandeira - Poesia Completa e Prosa - Ed. Nova Aguilar

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