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 CAPIBA -
(1904-1997)
Lourenço
da Fonseca Barbosa, ou melhor dizendo, Capiba, cantor e compositor, pernambucano,
nascido na cidade de Surubim, interior de Pernambuco no dia 28 de
outubro de 1904, se tornou referência da música pernambucana, em
particular, do frevo que é um dos ritmos tradicionais e
característicos da terra.
Capiba, mesmo apelido que tinha o seu avô, em 1912 já fazia
parte da Banda regida por seu pai e em 1921 vinha a organizar sua
própria banda de música, a Orquestra Jazz Band Campinense.
Formou-se em Direito em 1938. Uma de suas primeiras composições
foi a valsa Meu Destino. Em 1918 compôs Suíte Nordestina
para Piano e de suas peças clássicas destacam-se Peça Armorial Sem
Lei nem Rei e a Grande Missa Armorial.
Capiba
é o grande compositor pernambucano de frevo-canção tendo
composto centenas delas além de frevos-de-bloco, maracatus,
frevos de rua, sambas, chorinhos e outros ritmos. Seu grande
intérprete sempre foi o cantor pernambucano Claudionor Germano.
Seus frevos mais famosos são : É de Amargar, Manda Embora Essa
Tristeza, Linda Flor da Madrugada, Cala a Boca Menino,
Trombone de Prata, Madeira que Cupim não Rói, Oh Bela, Juventude
Dourada, ...
Capiba por ele mesmo
Sempre compus todo gênero de música.
Gosto também, e muito, do frevo porque me dá uma constante
sobrevivência artística, como compositor. Apresento-me nos
carnavais pernambucanos desde 1934, para manter uma fogueira que
vem acesa desde os idos da década de 20, ou melhor, para não
deixar cair a peteca. Mas, meu fraco mesmo são as canções,
valsas e serestas.
Quando cheguei no Recife, em
setembro de 1930 para trabalhar no Banco do Brasil S/A, tratei,
logo, de organizar com outros colegas estudantes, a Jazz Band Acadêmica,
orquestra que dominou os salões do Recife naquela época. Na
qualidade de diretor da orquestra que fundara eu tinha que ser
acadêmico. E, para tal, tentei o vestibular de direito, em 1931,
para poder ostentar o honroso título de acadêmico, uma vez que
os demais elementos de orquestra eram todos estudantes superiores.
Onde eu morava, muito embora dormisse no quarto onde nasceu o
grande abolicionista, Joaquim Nabuco, não cheguei a assimilar os
seus conhecimentos e ensinamentos e, por isso, levei pau no
vestibular daquele ano.
No ano seguinte passei no
vestibular. Não estava, portanto, enganando a mais ninguém. Era
de fato e de direito, acadêmico para todos os efeitos. (Hoje, com
o correr dos tempos, não se diz mais acadêmico e sim, universitário).
A honra do patrono da Fundação Joaquim Nabuco estava salva. E,
por causa dessa minha teimosia de ser estudante de Direito,
terminei como bacharel em 1938. Está aí, mais uma coisa que a música
me deu,- não sei se boa ou má. Só de uma coisa eu sei: nunca
fui buscar o meu diploma que, certamente, está armazenado na
Secretaria da famosa primeira escola de Direito do país.
Eu disse acima que meu fraco são
as canções, valsas, serestas e são mesmo. Daí, ter lançado em
1931, o meu cartão de visita como compositor da VALSA VERDE, com
belos versos de Ferreira dos Santos. Com esta valsa abriram-se os
caminhos para o tímido matuto de Surubim, que eu era. Vieram
outros sucessos. Em 1932, É DE TORORÓ, com letra de Ascenso
Ferreira, gênero de música lançado por mim, nos salões do
Recife, à frente da Jazz Band Acadêmica. Em 1933, CORAÇÃO, QUE
MAIS QUERES? com versos do poeta Leovigíldo Júnior. Novo sucesso
em 1934 : É DE AMARGAR - frevo que todo o Recife cantou em uníssono,
no carnaval daquele ano. Esse frevo é, até hoje, lembrado nos
salões dos grandes e pequenas clubes da Capital do Frevo -
Recife. Daí diante nada mais tenho a dizer sobre canções de
carnaval, todo o Recife conhece a minha trajetória.
Tenho feito, no decorrer de todos
estes anos, uma série interminável de canções com os maiores
poetas brasileiros e, até estrangeiros. Posso citar dentre eles,
Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes,
Ariano Suassuna, Carlos Penna Filho, João Cabral de Mello Neto,
Alfonsus Guimarães, Ascenso Ferreira, Jorge de Lima, Geraldo
Brasil, Jayme Griz, Langston Hughes e muitos outros.
O talento de Capiba não se limitava à música
O
pintor Capiba nasceu na década de 60. Um dia, a artista plástica
Ladjane Bandeira foi à casa do compositor para que ele musicasse
a sua peça Viola do Diabo. Conversa vai, conversa vem, ele lhe
revelou seu desejo de transmitir através dos pincéis o seu modo
de sentir e ver o mundo à sua volta. Pouco tempo depois, a
pintora enviou ao mestre do frevo tintas e pincéis com fartura.
Foi o bastante para que o autor desse início ao seu novo hobby.
Capiba
pintou algumas dezenas de quadros, voltados para o popular e o
figurativo. Algumas vezes revelam uma forma ingênua e primitiva,
enfeixando cenas folclóricas ou motivos religiosos. Igualmente
procurou imprimir uma visão pessoal às situações que retratou.
Um dos temas favoritos do
pintor/compositor eram as brigas de galo.
Trechos de Músicas
É
de Amargar
Eu bem sabia
Que este amor um dia
Também tinha seu fim
Esta vida é mesmo assim
Não pense que estou triste
Nem que vou chorar
Eu vou cair no frevo
Que é de amargar ...
Madeira
que Cupim não Rói
Madeiras do Rosarinho
Vem à cidade, sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original
Não vem pra fazer barulho
Vem só dizer, e com satisfação
Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão
E se aqui estamos cantando esta canção
Viemos defender a nossa tradição
E dizer bem alto, que a injustica dói
Nós somos Madeira de Lei que cupim não rói.
Oh
Bela
Você diz que ela é bela
Ela é bela sim senhor
Porém poderia ser mais bela
Se ela tivesse meu amor, meu amor
Bela é toda a natureza
Oh Bela ...
Galeria de Fotos
Capiba nos últimos anos de vida
Capiba e seu lado pintor
Contra-capa do disco "Viva Capiba"
"Quem
tem saudade não está sozinho
tem o carinho da recordação"

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