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CÍCERO DIAS  - (1907 – 2002)

O artista plástico pernambucano, dono de uma das obras modernistas mais ricas do Brasil, Cícero Dias, morreu aos 95 anos, em sua casa em Paris, de causa natural. O artista é considerado um dos maiores nomes do modernismo brasileiro. Ele nasceu em 5 de março de 1907 na pequena cidade de Escada, no interior de Pernambuco.

Nascido no Engenho Jundiá, pertencente à cidade de Escada, Dias transportou para toda a sua obra as cores, a luz e o realismo mágico que o marcou na Zona da Mata e, em seguida, no Recife. A infância de Cícero foi semelhante a de qualquer menino de engenho, com banhos ruidosos, proibidos, as brincadeiras e traquinagens, a presença do cangaço, as visitas aos engenhos vizinhos, a enchente, a escola, a professora, as primeiras letras, as lições de sexo... Naquela época os senhores de engenho abandonavam em desleixo os filhos, não se importando com a infância. Depois recorriam ao colégio para corrigi-los. Cícero não fugiu a essa regra. Viveu seus primeiros anos pelos engenhos do interior de Pernambuco.

Ele também morou no Rio de Janeiro, onde estudou na adolescência, e em Paris. Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife. Com essa frase, título do seu painel mais famoso, o pintor Cícero Dias vinculou sua obra, definitivamente, ao seu lugar de origem. 


Embora tenha sua trajetória atrelada com o modernismo brasileiro, Cícero também se deixou influenciar pela arte européia, mais notadamente pelas tendências geométricas, abstratas e pela pintura de Pablo Picasso. Ele chegou, inclusive, a freqüentar o ateliê do pintor espanhol. Na década de 40, Dias começou a trabalhar a abstração. Nos anos 60, o artista voltou a pintar as figuras femininas e, desde essa época, sua obra se tornou uma mistura de flores, paisagens e personagens, entre tantos outros elementos. As aquarelas que criou no início da carreira são as mais valorizadas atualmente, embora tenham sido pouco apreciadas há algumas décadas.

Numa entrevista no Recife, para onde vinha quase todos o verões escapulir do frio de Paris, Cícero Dias apontou para o mar da praia de Boa Viagem e disse: “Minha pintura tem os verdes dele e dos canaviais de Pernambuco. Tenho a influência poética das águas”. Foi esse o impulso até seu último trabalho, o desenho da rosa-dos-ventos para a Praça do Marco Zero (Recife), inaugurada em 2000.



BREVE HISTÓRICO

- Em 1920, aos 13 anos, Cícero se mudou para o Rio de Janeiro. Foi interno no mosteiro de São Bento.

- Entre 1925 e 1927, teve seu primeiro contato com os modernistas.

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Em 1928, realizou sua primeira exposição, em que expôs o célebre painel "Eu vi o Mundo", de 15 metros de largura.

- Em 1931, abriu uma exposição no Salão de Belas Artes.

- No ano de 1937, foi para Paris. Um anos depois, Dias realizou suas primeiras exposições na cidade. Nessa época, em busca de novos rumos para seu trabalho, entrou em contato com as obras dos artistas da Escola de Paris. 

- Em 1945, ingressou no grupo Espace. 

- Em 1946, mostrou seus trabalhos na mostra na Exposition Internationale d'Art Moderne, no Museu de Arte Moderna de Paris.

- No início dos anos 60, o artista pintou diversas telas com retratos de mulheres.

- Em 2000 inaugurou uma praça projetada por ele mesmo em Recife.

- Em fevereiro de 2002, Dias esteve na capital pernambucana para o lançamento de um livro sobre sua trajetória artística e fez uma exposição na galeria Portal, em São Paulo.



DEPOIMENTOS

José Lins do Rego definiu o pintor como um menino de engenho com a loucura da arte:

“Então apareceu Cícero Dias. Era um menino de engenho com a loucura da arte. E deu-lhe uma febre (...), uma febre que fazia seu corpo tremer e sua alma pegar fogo. Cícero Dias começou a revelar o mundo numeroso e estranho dos canaviais, das paixões furiosas, dos sonhos que eram verdadeiros incêndios dos sentidos. Tudo que era o grande e o torpe, tudo o que eram as secretas profundidades do inconsciente, explodia como uma boca de vulcão. Larvas desceram pelas várzeas de Jundiá e Cícero Dias parecia um Vesúvio sobre Pompéia. Foi tão extraordinária sua aparição que os modernos da Semana correram dele. O pintor Cícero Dias arrasou com as medidas e as teorias que a Semana de Arte Moderna havia imposto como ciências. O jovem pernambucano, em 1929, deu à vida artística do Rio uma impressão de quem viesse de uma estação no inferno.”

Francisco Brennand diz que ele era um excelente contador de histórias:

“Recordo o infatigável prazer com que Cícero Dias narrava histórias. Era um contador tão interessante quanto Ariano Suassuna, só que confundia sempre seus interlocutores, que não sabiam quando ele estava brincando ou falando a verdade. Muito espirituoso, era dessas pessoas que conversam a noite inteira sem cansar.”



G A L E R I A   D E   OBRAS


Parte do Painel "Eu vi o Mundo, Ele começava no Recife"
 
 

Composição sem Título
 
 


Empinando Pipa
 
 
 



   

   

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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